"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

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"De que vale a vida se quando a temos ela parece morta. A vida é para ser senirmos, para vibrar, para lutar, para combater. Isso justifica nossa passagem pela Terra." (Jaime Pardo Leal)

Biografia não autorizada do narco-presidente Álvaro Uribe - Clique aqui para baixar

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Piedad Córdoba afirma que as FARC estão dispostas a liberar mais reféns

Fonte: Adital

A senadora colombiana Piedad Córdoba afirmou que cinco reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) poderão ser libertos em aproximadamente um mês. A declaração da senadora foi dada ontem (14/07), em entrevista coletiva, em Cúcuta.

De acordo com Córdoba, a liberação dos reféns dependerá do presidente Álvaro Uribe, quem é o responsável por avaliar e negociar as condições impostas pelo grupo guerrilheiro. Na oportunidade da entrevista, a senadora solicitou novamente ao presidente colombiano uma reunião para definir estratégias para a entrega dos 24 policiais e soldados que estão no poder das FARC, assim como os corpos dos três militares que morreram em combate.

Até o momento, o grupo só deu sinal de que libertará o cabo Pablo Emilio Moncayo, sequestrado há mais de uma década, e o soldado Josué Daniel Calvo Sánchez, refém desde abril deste ano. Em entrevista à Prensa Latina, a senadora afirmou: "Não temos aproximação com as FARC, mas temos conhecimento, através de emissários, que eles insistem [que] a vontade de entregar as pessoas e o cadáver do capitão (Julián Ernesto) Guevara segue de pé; mas, até que tenhamos a autorização do Governo, não podemos fazer absolutamente nada, porque é assumir riscos que são absolutamente desnecessários".

Uribe autorizou, na quarta-feira passada (8/07), que a senadora Piedad Córdoba, juntamente com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR, sigla em espanhol) e com a Igreja Católica, formasse parte do operativo que receberá os reféns do grupo guerrilheiro e o corpo do capitão Julián Ernesto Guevara, morto em cativeiro.
Na ocasião, Córdoba pediu uma reunião com o presidente para decidir as estratégias que serão utilizadas para a libertação. No entanto, até agora, o encontro ainda não aconteceu. De acordo com Prensa Latina, Uribe já deixou claro que quem comandará a operação será o Alto Comissionado para a paz, Frank Pearl.

Segundo informações da Europa Press, o presidente informou que "a única condição para avaliar uma missão humanitária é que a guerrilha se comprometa a entregar a ‘todos’ os reféns ‘de forma simultânea’." A senadora, entretanto, acredita que se conquistarão mais avanços nesse campo caso Uribe concorde com a liberação de grupos de cinco pessoas. "Eu creio que poderíamos avançar em um grupo de quatro ou cinco (pessoas) em poder das FARC e avançar até o intercâmbio", declarou a senadora.

As lições de Honduras

por Theotônio dos Santos
08-Jul-2009

Conta-se uma reveladora brincadeira entre os presidentes latino-americanos:

- Sabe por que não existem golpes de Estado nos Estados Unidos?

- Não!

- Porque nos Estados Unidos não existe embaixada dos Estados Unidos.
Além do mais, sabemos que os golpes nos Estados Unidos se dão através do assassinato, puro e simples, de seus presidentes (como no caso de John Kennedy) ou com a ajuda da Suprema Corte para impedir a recontagem dos votos (como no caso Bush).

Apesar destes e de muitos outros precedentes, vemos agora os líderes do Partido Democrata se indignar com a negativa de recontagem de votos no Irã, acusado de ser uma tremenda ditadura.

No entanto, qual a lição de Honduras? Pela primeira vez na história, os Estados Unidos apóiam a condenação de um golpe de Estado na América Latina, permitindo que se realize uma condenação unânime de um ato de força militar em todas as organizações internacionais.

Isso quer dizer que dessa vez a embaixada americana não participou do ato de força? Desgraçadamente não. De maneira indiscreta, um deputado da direita hondurenha revelou publicamente a conspiração que mantinham os golpistas com a embaixada dos EUA. O fez em memorável sessão de primitivo disfarce democrático no qual se realizou a "eleição" do "sucessor" do presidente Zelaya, que havia renunciado segundo a carta falsa lida por este bisonho "sucessor", que se esqueceu de forjar uma carta de renúncia do vice-presidente, a quem caberia substituir o presidente seqüestrado. Essa sessão foi transmitida pela Radio Globo de Honduras, última a ser silenciada pelos "democratas" do "governo provisório".

De acordo com este deputado, o embaixador dos EUA, que aprovava a mobilização golpista, havia estado contra a realização do golpe antes da consulta popular não-vinculante, chamada de "referendo" pela Corte Suprema hondurenha e pela grande imprensa internacional, que busca desesperadamente justificá-lo.

Seria muito difícil acreditar que o governo dos EUA estivesse ausente da conspiração em um país que serviu de base a suas organizações militares mercenárias que desestabilizaram o governo legítimo dos sandinistas. Nesse mundo de contra-informação no qual vivemos, escutei o locutor da emissora de TV Globo News, no Brasil, dizer que as organizações militares dos ‘contras’ hondurenhos lutavam contra os "guerrilheiros" nicaragüenses.

Todos sabemos os altos custos de tais operações de guerra de baixa intensidade, as quais podem servir de modelo de corrupção para as organizações de defesa dos direitos humanos e transparência. O Congresso dos Estados Unidos se ocupou de nos revelar detalhes tenebrosos da operação triangular contra o governo sandinista, comandada pelo então vice-presidente dos Estados Unidos, George Bush: o governo dos EUA expandiu as operações do narcotráfico a partir da Colômbia, através dos ‘contras’ assentados em Honduras, Costa Rica e El Salvador. Seus lucros serviam para financiar as operações e, ao mesmo tempo, para comprar armas para o eterno ‘inimigo’ público dos EUA: o governo do Irã.

Apesar de suas diferenças, os líderes religiosos iranianos tinham acordado com o então candidato George Bush prolongar o seqüestro dos norte-americanos prisioneiros em sua embaixada em Teerã, a fim de desmoralizar Carter e permitir a vitória eleitoral de Reagan em troca dessa ajuda militar secreta.

Imediatamente surgem as acusações de que tal tipo de informação faz parte de teorias "conspiratórias". Ainda assim, estamos nos referindo aos fatos revelados pelas investigações do Congresso dos Estados Unidos, o que, tudo indica, acredita mesmo nas conspirações, exitosas ou fracassadas.
Essas conclusões se reforçam com as colocações de Ramsey Clark e do Bispo Filipe Teixeira, da Diocese de São Francisco de Assis (Boston), em sua mensagem urgente ao presidente dos Estados Unidos:

"Levando em consideração:

1) A colaboração próxima dos militares dos EUA com o exército hondurenho, manifestada pelo treinamento e exercícios em comum;

2) O papel da base militar Soto Cano, agora sob o comando do coronel Richard A. Juergens, que era diretor de Operações Especiais durante o seqüestro em fevereiro de 2004 do presidente haitiano Jean-Bertrand Aristide;

3) Que o chefe do Estado Maior do exército hondurenho, general Romeo Vásquez, foi treinado na Escola das Américas dos EUA;

4) Que o secretário adjunto de Estado Thomas A. Shannon Jr. e o embaixador dos EUA em Honduras, Hugo Llorens, estavam plenamente informados dos conflitos que conduziam ao golpe militar;

Concluímos que o governo dos Estados Unidos tem responsabilidade no golpe e está obrigado a exigir que o exército hondurenho regresse à ordem institucional e evite ações criminosas contra o povo hondurenho.

Portanto, insistimos, pela paz na região, que o presidente Barack Obama corte imediatamente toda ajuda e relações com o exército de Honduras e suspenda todas as relações com o governo de Honduras, até que o presidente constitucional regresse a seu posto”.


Em resumo, o currículo estadunidense em Honduras mostra a dificuldade de confiar em seus desígnios democráticos na região. Talvez, a volta dos sandinistas e dos revolucionários salvadorenhos ao governo depois de anos de brutal repressão em seus países tenha ensinado algo a diplomacia estadunidense, ainda vacilante em condenar definitivamente o golpe de Estado hondurenho.

A imprensa internacional expressa vacilações ao chamar Zelaya de presidente "deposto" e o golpista Roberto Micheletti de presidente "interino"; ao chamar a consulta não-vinculante, proposta por Zelaya para criar uma Constituinte, de "referendo" para perpetuar-se no poder. Coisas que não se puderam escutar sobre o presidente assassino da Colômbia que busca o terceiro mandato presidencial, e nem se escutavam sobre as pretensões de reeleição de Fujimori, Menem ou Fernando Henrique Cardoso.

É também revelador entre suas motivações a ausência de referência na imprensa à falsa carta de renúncia do presidente Zelaya, lida no parlamento para justificar a eleição de seu sucessor. É cômico que se afirme que esse senhor foi eleito por unanimidade quando não compareceram a essa sessão os deputados governistas ameaçados de prisão. Por fim, entre outras insidiosas tergiversações, pretende-se a existência de um confronto mais ou menos igual entre os defensores armados do golpe e os desarmados manifestantes contrários ao mesmo.

Tudo isso e as declarações da secretária Hillary Clinton sobre o necessário respeito das instituições hondurenhas que possuem acordos com os EUA nos mostram que há divergências dentro do governo dos EUA. Com o fantástico apoio internacional que conta o presidente Zelaya, está se buscando obrigá-lo a uma negociação espúria com os golpistas. Até hoje a justiça venezuelana não aceita definir como golpe de Estado o que realizaram os gorilas locais em 2002. Imaginem o que vão propor em Honduras...

Zelaya e o povo hondurenho têm muitas dificuldades pela frente, mas não devem se acovardar diante delas. Não têm porque abaixar a cabeça frente aos mercenários e seus chefes, nem frente aos golpistas que são desprezados por toda a humanidade, apesar dos apoios abertos, inclusive disfarçados, dos grandes meios de comunicação.


Theotonio dos Santos é titulado em Sociologia e Política e em Administração Pública (UFMG). Mestre em Ciência Política (UnB). Doutor em Economia por Notório Saber - UFMG e UFF e já publicou 30 livros.
Traduzido por Gabriel Brito, jornalista.

Fonte: Correiodacidadania.com

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

O Golpe Morre ou Morrem as Constituições

Por Fidel Castro Ruz. Cuba

Os países da América Latina lutavam contra a pior crise financeira da história dentro duma relativa ordem institucional.

Quando o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de viagem em Moscovo para abordar temas vitais em matéria de armas nucleares, declarava que o único presidente constitucional de Honduras era Manuel Zelaya, em Washington a extrema direita e os falcões faziam manobras para que ele negociasse o humilhante perdão pelas ilegalidades que os golpistas lhe atribuem.
Era óbvio que tal ato significaria diante dos seus e diante do mundo o seu desaparecimento do cenário político.
Está provado que quando Zelaya anunciou que regressaria no dia 5 de Julho, estava decidido a cumprir a sua promessa de partilhar com o seu povo a brutal repressão golpista.

Com o Presidente viajavam Miguel d´Escoto, presidente pro tempore da Assembléia-geral da ONU, e Patrícia Rodas, a chanceler de Honduras, bem como um jornalista de Telesur e outros, para um total de 9 pessoas. Zelaya manteve a sua decisão de aterrar. Sei que em pleno vôo, quando se aproximava de Tegucigalpa, desde terra lhe informaram a respeito das imagens de Telesur, no instante em que a enorme massa que o esperava no exterior do aeroporto, estava a ser atacada pelos militares com gases lacrimogéneos e fogo de fuzis automáticos.

A sua reação imediata foi pedir altura para denunciar os factos por Telesur e demandar aos chefes daquela tropa que cessasse a repressão. Depois lhes informou que procederia à aterragem. Então, o alto comando ordenou obstruir a pista. Em apenas uns segundos ficou obstruída por veículos de transporte motorizados.

Três vezes passou o Jet Falcon, a baixa altura, por em cima do aeroporto. Os especialistas explicam que o momento mais tenso e perigoso para os pilotos é quando naves rápidas e de pouco porte, como a que conduzia o Presidente, reduzem a velocidade para fazer contato com a pista. Por isso acho que foi audaz e valente aquela tentativa de regressar a Honduras.

Se desejavam julgá-lo por supostos delitos constitucionais, por quê não lhe permitiram aterrar?
Zelaya sabe que estava em jogo não só a Constituição de Honduras, mas também o direito dos povos da América Latina a eleger os seus governantes.
Honduras não é hoje apenas um país ocupado pelos golpistas, mas também um país ocupado pelas forças armadas dos Estados Unidos.

A base militar de Soto Cano, também conhecida pelo nome de Palmerola, localizada a menos de 100 quilômetros de Tegucigalpa, reativada em 1981 sob a administração de Ronald Reagan, foi a utilizada pelo coronel Oliver North quando dirigiu a guerra suja contra a Nicarágua, e o Governo dos Estados Unidos dirigiu desde esse ponto os ataques contra os revolucionários salvadorenhos e guatemaltecos, o que custou dezenas de milhares de vidas.

Ali está a “Força de Tarefa Conjunta Bravo” dos Estados Unidos, integrada por elementos das três armas, que ocupa 85 por cento da área da base. Eva Golinger divulga o papel que tem essa base num artigo publicado no sítio digital Rebelião em 2 de Julho de 2009, titulado “A base militar dos Estados Unidos em Honduras no centro do golpe”. Ela explica que “a Constituição de Honduras não permite legalmente a presença militar estrangeira no país. Um acordo ‘de mão entre Washington e Honduras autoriza a importante e estratégica presença das centenas de militares estadunidenses na base, por um acordo ‘semi-permanente’. O acordo foi realizado em 1954 como parte da ajuda militar que os Estados Unidos ofereciam a Honduras… o terceiro país mais pobre do hemisfério.” Ela acrescenta que “…o acordo que permite a presença militar dos Estados Unidos no país centro-americano pode ser retirado sem aviso”.

Soto Cano é igualmente sede da Academia da Aviação de Honduras. Parte dos componentes da força de tarefa militar dos Estados Unidos está integrada por soldados hondurenhos.
Qual é o objetivo da base militar, dos aviões, dos helicópteros e da força de tarefa dos Estados Unidos em Honduras? Sem dúvida que serve unicamente para empregá-la na América Central. A luta contra o narcotráfico não requer dessas armas.

Se o presidente Manuel Zelaya não for reintegrado ao seu cargo, uma onda de golpes de Estado ameaçará com varrer muitos governos da América Latina, ou estes ficarão à mercê dos militares de extrema direita, educados na doutrina de segurança da Escola das Américas, esperta em torturas, na guerra psicológica e no terror. A autoridade de muitos governos civis na América Central e na América do Sul ficaria enfraquecida. Não estão muito distantes aqueles tempos tenebrosos. Os militares golpistas nem sequer emprestariam atenção à administração civil dos Estados Unidos. Pode ser muito negativo para um presidente que, como Barack Obama, deseja melhorar a imagem desse país. O Pentágono obedece formalmente ao poder civil. Ainda as legiões, como em Roma, não assumiram o comando do império.

Não seria compreensível que Zelaya admita agora manobras dilatórias que desgastariam as consideráveis forças sociais que o apóiam e só conduzem a um desgaste irreparável.

O Presidente ilegalmente derrubado não procura o poder, mas defende um princípio, e como disse Martí: “Um princípio justo do fundo de uma caverna pode mais do que um exército.”

Fonte: desacato

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Brasil e França exigem volta de Zelaya

Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da França, Nicolás Sarkozy, exigiram nesta terça a volta da ordem constitucional em Honduras e a restituição de seu presidente legítimo, Manuel Zelaya.

Em declarações à imprensa no Palácio do Eliseo a propósito da visita oficial de Lula aqui, ambos mandatários reiteraram que existe uma postura unânime internacional de rejeição ao golpe de Estado em Honduras.

“Acho que há uma decisão histórica de unidade e coesão na América Latina, em todo o continente na realidade e dentro das Nações Unidas. O presidente Zelaya deve retornar ao poder e ninguém pode lhe usurpar seu mandato", declarou Lula.

O governante brasileiro enfatizou que não há espaço para eleições adiantadas nem nada do estilo, "porque os golpistas não têm o reconhecimento de ninguém nem são representativos do povo hondurenho".

Acrescentou que também não é momento de tolerar um regresso às escuras práticas de golpes militares usuais na América Latina nos anos 60 e 70 do século passado.

"Devemos esperar porque pode-se voltar à normalidade nesse país centro-americano, mas para que isso ocorra só existe uma alternativa, a reinstalação na presidência da República de Manuel Zelaya", sentenciou.

Em seu turno, Sarkozy manifestou sua "total coincidência" com os pontos de vista de seu homólogo brasileiro, e recordou que seu chanceler, Bernard Kouchner, tem repetido em várias ocasiões o repúdio da França ao golpe em Honduras.

Os dois dignatários ressaltaram assim que irão à cúpula do G8 em LaÂ?Aquila, Itália, a partir de manhã, com posições comuns para impulsionar reformas verdadeiras e profundas" do sistema financeiro internacional.

"Queremos que se cumpram as ideias discutidas na cita do G20 em Londres e ao mesmo tempo, que o Brasil possa ter no futuro um posto no Conselho de Segurança da ONU, bem como redobrar o papel dos países emergentes na órbita", apontou Sarkozy.

Texto: Fausto Triana/Prensa Latina

Com www.port.pravda.ru

Honduras: políticos ligados a Zelaya são assassinados

Fonte: Portal Vermelho

Dois dirigentes do partido de esquerda Unificação Democrática (UD) foram assassinados, no último sábado (11), em Honduras. Ambos participaram, nos últimos dias, de manifestações favoráveis a Manuel Zelaya, presidente do país deposto por um golpe de Estado em 28 de junho.


Roger Iván Bados, de 54 anos, foi morto a tiros em sua residência, na colônia de Rivera Hernández, em San Pedro Sula, norte do país. A outra vítima foi Ramón García, de 40 anos, também assassinado por homens armados ao descer de um ônibus no município de Macuelizo, departamento de Santa Bárbara, oeste de Honduras.

Em entrevista, o presidente da UD, Renán Valdés, indicou que García era um dos líderes dos protestos em Santa Bárbara, e que Bados também sempre participou de manifestações pró-Zelaya.

Para ele, por este motivo, os dois homicídios configuram um "ato de represália" perpetrado pelo governo de fato do país, encabeçado pelo presidente Roberto Micheletti, nomeado pelo Congresso.

Em comunicado, a Frente Nacional de Resistência Contra o Golpe de Estado ressaltou que as mortes ocorreram em meio à "grave crise política vivida por Honduras e sob claras condições de perseguição e repressão desencadeadas pelo governo de fato contra dirigentes populares em todo o país".

Na nota, o grupo exige que as autoridades investiguem "estes cruéis assassinatos" e levem à Justiça seus "autores materiais e intelectuais". "Convocamos o povo hondurenho a continuar participando de todas as atividades de resistência até que a ordem constitucional seja restituída e os golpistas abandonem o poder, ao qual chegaram mediante usurpação", diz o texto.

Sem toque de recolher, mas com censura

Ontem, o governo de fato hondurenho decidiu pôr fim ao toque de recolher que estava vigente no país desde o dia 28 de junho. Por outro lado, a censura aos meios de comunicação persiste com toda a força.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, denunciou que um grupo de jornalistas da rede multiestatal Telesur e da televisão pública venezuelana VTV foram ameaçados de morte em Honduras e tiveram que abandonar o país neste domingo.

"Eles foram deportados. Essa é a democracia que nos querem impor no continente: a ditadura. Eles foram ameaçados de morte", afirmou Chávez em seu programa de rádio e tv dominical "Alô, Presidente".

Chávez qualificou de "covarde" a ação do governo. Jornalistas de Telesur e da VTV denunciaram ter sido presos e obrigados a abandonar Honduras depois de terem seus quartos de hotel invadidos pela polícia.

Eles disseram ainda terem ficado presos durante algumas horas e aconselhados a abandonar o país por ordem do governo de fato de Roberto Micheletti. Segundo a polícia, a prisão foi punição por um roubo, mas os jornalistas afirmam que foi uma tentativa de amedrontá-los.

Vários oficiais da Imigração, acompanhados por policiais armados e encapuzados, percorreram vários hotéis de Tegucigalpa para checar a situação migratória de jornalistas estrangeiros.

Pressão

Enquanto isso, a pressão internacional cresceu sobre Micheletti e seu governo, com apelos pelo restabelecimento imediato da ordem constitucional e o congelamento de fundos de ajuda por parte de organismos multilaterais de crédito como o FMI.

"A suspensão da ajuda internacional é gravíssima, porque cerca de um terço do Orçamento Nacional - aproximadamente 1,5 bilhões de dólares - dependem de ajuda bilateral e multilateral", declarou o economista Nelson Avila, ex-assessor de Zelaya.

O economista Martín Barahona, ex-presidente do Colégio de Economistas de Honduras, advertiu por sua vez que o país só "tem capacidade de se sustentar de forma autônoma por mais quatro ou cinco meses".

"Nas atuais condições, é impossível que um governo consiga resistir por mais de seis meses", concordou Wilfredo Girón, professor de Economia da Universidade Nacional Autônoma de Honduras.

Mediação da Costa Rica

O presidente costarriquenho Oscar Árias anunciou que retomaria a mediação entre as duas partes da crise política hondurenha dentro de uma semana. Árias disse no domingo em San José que espera convocar um novo encontro entre representantes de Zelaya e do presidente interino Roberto Micheletti dentro de aproximadamente oito dias. A primeira reunião terminou na sexta-feira sem nenhum compromisso concreto, a não ser o de um novo encontro, sem data definida.

A mediação de Árias, apoiada pelos Estados Unidos, foi criticada no domingo pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, para quem a única solução aceitável para Honduras é a restituição de Zelaya.

Com agências

EUA: teste de fogo ante situação institucional de Honduras

Por Virgílio Arrães

Fonte: Correio da Cidadania

Nos últimos anos da Guerra Fria, a América Central destacou-se no cenário internacional por causa da emergência de movimentos políticos populares opostos à tradicional atuação norte-americana naquela área. A referência a Cuba como símbolo de resistência desde os anos 1960 aos ditames da política externa estadunidense era obrigatória, porque a partir do fim da Guerra Hispano-Americana, em agosto de 1898, Washington passou a considerar aquela região como uma zona de intervenção exclusivamente sua, ao amparar-se na Doutrina Monroe.

Entre todas as organizações atuantes nas décadas de 1970 e 1980 naquela área, a de maior relevo foi a da Nicarágua, por intermédio da Frente Sandinista de Libertação Nacional, fundada nos anos 60. Em 1979, os sandinistas apearam do poder o presidente Anastásio Somoza, o maior representante da oligarquia rural. Desde 1937, a família Somoza influenciava diretamente o comportamento sócio-econômico do país, sendo a política externa nicaragüense convergente com os interesses da norte-americana.

Com a ruptura institucional, a oposição aos sandinistas, conhecida como os contra (-revolucionários), organizou-se a partir do auxílio financeiro da Agência Central de Espionagem (CIA), tendo por base operacional dois países: Costa Rica e Honduras, sendo este governo uma ditadura militar quase sem interrupção desde 1963.

Contudo, em janeiro de 1982, a população assistiu à posse de um dirigente democraticamente eleito. Este processo repetir-se-ia até o fim de junho do presente ano, quando um golpe militar depôs o presidente Manuel Zelaya, do Partido Liberal, sob a alegação de desrespeito a uma decisão do Supremo Tribunal de Honduras. Exilado à força na Costa Rica, Zelaya aguarda a definição de seu destino político.

A Corte havia decidido não ser possível a realização de uma consulta popular relativa à reeleição presidencial, em vista de restrições da legislação eleitoral. Zelaya, porém, estava decidido a efetivá-la, o que desencadeou a intervenção militar e, portanto, a séria crise institucional, dado que nem sequer se concedeu ao vice-presidente o direito de ser empossado. Em seu lugar, assumiu o titular do Congresso Nacional, Roberto Micheletti, da mesma agremiação partidária, porém adversário político do dirigente deposto.

Assim, consumou-se o primeiro golpe de Estado militar na região desde o fim da Guerra Fria. Corretamente, os países latino-americanos protestaram diante do desrespeito à legislação hondurenha. Todavia, reverberações da dicotomia bipolar ainda persistem: o líder da quartelada, general Romeo Vasquez, foi aluno do atual Instituto de Cooperação de Segurança Americana, mais conhecido no século passado como a Escola das Américas, local em que se treinaram milhares de militares e policiais de extrema-direita para contraporem-se em seus países a movimentos populares, conectados ou não com a União Soviética.

Ainda que tradicionalmente desprovido de importância econômica e política, Honduras adquiriu, ao menos de modo momentâneo, importância simbólica para a política externa norte-americana, em vista de seu histórico desabonador de apoio, mesmo velado, a intervenções no continente. Para tanto, bastaria evocar o golpe militar na Venezuela de 2002, aceito como consumado por países também como a Espanha, mas rejeitado de maneira inédita pela contestação popular interna.

Desta feita, nem Estados Unidos, nem União Européia omitiram-se diante do golpe, ainda que ambos não manifestem entusiasmo pelo posicionamento político do presidente defenestrado, próximo da Venezuela de Hugo Chávez, ao ingressar na ALBA e na Petrocaribe, o que contrastou com a postura anterior do país, de adesão ao CAFTA desde 2004. Outrossim, isto explica a ausência de um auxílio específico para a reversão da situação desfavorável a Zelaya, entregue à sorte pelo seu próprio partido político.

Contudo, a fim de permitir à opinião pública da região uma visão do presidente Obama diferente da de seu desastrado predecessor, é necessário que a diplomacia estadunidense vá mais adiante, ao anunciar, por exemplo, a possibilidade de interrupção imediata do auxílio militar ou a suspensão de novos investimentos – os Estados Unidos respondem por cerca de 3/5 deles em Honduras.

Tais ações reforçariam aquelas em curso pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e seriam mais efetivas, postas as suas conseqüências imediatas para a frágil economia daquele país, um dos mais pobres da América Latina. Assim, elas poderiam sinalizar que a política externa do governo Obama diferenciar-se-ia da de Bush.

Além do mais, seria uma forma de contra-arrestar a influência bolivariana no continente e não involuntariamente ampliá-la, tendo em vista que uma eventual indefinição de posicionamento de Washington soaria como um aval ao golpe praticado.


* Virgílio Arrães é doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

Mel Zelaya pode voltar a qualquer momento, diz Chávez

"Zelaya vai para Honduras a qualquer momento. Vai aparecer em qualquer lugar do país", disse Chávez, em seu programa dominical de rádio e televisão Alô Presidente!. Chávez deu a entender que a presença de Zelaya em Honduras poderia causar um movimento cívico militar, que teria o objetivo
de criar uma base de ação para recuperar o poder.

O presidente venezuelano afirmou que os militares golpistas não têm o controle absoluto das Forças Armadas e disse ainda que não estranharia se aparecessem pronunciamentos de oficiais a favor de Zelaya.

Além disso, voltou a pedir ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que pare com "ambiguidades" e tome medidas contra os ditadores hondurenhos. "Deixe a ambiguidade, você não nos engana com esse discursinho e esse sorriso. O senhor está sendo testado. Demonstre se está disposto a enfrentar os falcões, e se não, é melhor que saia do assunto", disse Chávez.

Disse ainda que é melhor que o império seja governado por um falcão, que se assume como tal, como era o caso de George W. Bush, que "alguém que é e não é", que se "apresenta como um cordeirinho, como um pacifista". Além disso, insistiu na tese de que Washington deve assumir as mudanças na América Latina e não tentar freá-las.

Lembrou que o ex-presidente americano John Kennedy advertiu que "quem fecha o caminho das revoluções pacíficas abre os caminhos das revoluções violentas". Chávez assegurou que as forças direitistas latino-americanas modificaram seus discursos para "amedrontar" os povos e substituíram como fonte de todas as calamidades "o comunismo pelo chavismo".

Afirmou, além disso, que o objetivo do novo Governo de Honduras é congelar a situação em seu estado atual, até as eleições de novembro. "Estamos ganhando, fizemos um gol e agora esfriamos a bola, retardamos o jogo para que o povo hondurenho e o presidente Manuel Zelaya se desgastem até as eleições de novembro". Segundo Chávez, esta seria a estratégia dos golpistas.
Fim do toque de recolher

O governo golpista disse que os hondurenhos em todo o país poderão sair à noite a partir de hoje. "Por ter alcançado os objetivos desta regra, o governo anuncia que a partir deste domingo, 12 de julho, o toque de recolher está suspenso por todo o país", disse o governo interino em um comunicado lido pelas redes de tevê e rádio.

Roberto Micheletti – ex-presidente do Congresso que tomou a presidência em 28 de junho - justificava o toque de recolher para reprimir os apoiadores do presidente eleito. O toque de recolher ordenava que os hondurenhos ficassem em suas casas todos os dias das 23 horas às quatro horas e trinta minutos.